“Em Fortaleza, a proporção de Sol por pessoa é de 1 para 1” (MOSHI, 2004).
Sim, amiguinhos e amiguinhas. Nós, fortalezenses, podemos escrever em nossos folhetos turísticos que temos um sol por habitante.
Está cada vez mais chato qualquer coisa com esse sol. Na Inglaterra, é falta de polidez falar de política, religião, futebol. Na dúvida,fala-se de amenidades.
- Oh, pequeno James, não seja inconveniente.
- Querida Prudence, me passe a manteiga, por favor.
- Oh, tem feito muito calor por esses dias, não?
Se o James chegasse aqui em casa – Fortaleza, Ceará, 2006 – e falasse da temperatura, ia pisar bem no meu calo. Pior que falar de política. Pior que chamar um hooligan de baitola na cara dele. Muito pior.
Aqui, calor não é amenidade, é falta de assunto. Todo diálogo começa com um comentário sobre o calor. Por causa do habitual “ow cidade quente”, que os estranhos sempre nos dizem nos ônibus, já comecei papos com desconhecidos sobre feminismo, esquizofrenia, pediatria, desemprego, preço do feijão. “Ow cidade quente” significa: “sou daqui, entendo seu código cultural. Podemos conversar”.
Quando eu era pequena, lia aquelas revistinhas importadas do sudeste do país, onde há praticamente quatro estações, e as pessoas até lêem previsão do tempo pra sair de casa e tudo o mais.
Revistinha do Recruta Zero, uma das historinhas machistas em que um dos soldados cantava a Tetê, secretária gostosa e burra, e ela não percebia:
- Tá calor aqui ou é você?
A adolescente Érika se sentia mais burra que a dona Tetê. Por que diabos dizer que ta com calor é cantada? A gente não sente calor o tempo todo?
Só depois deu pra entender que a piada não funcionava para o Ceará.
Lembro de uma propaganda do Tang em que havia um mordomo inglês, que tinha que servir Tang a um garoto ruivo infeliz-calorento, de dentes separados e calças quadriculadas. Era verão, o menino estava com sede e não havia laranjas.
- Oh! Não há laranjas!
- Tenho sede! Quero Tang!
Vem pra cá pra Fortaleza, vem, infiliz. Vem ver o que é um calor. Ow terra quente.
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Erika Lennox
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14h57
Freud uma vez tratou uma doidinha que vomitava todo dia, sem motivo fisiológico aparente. Freud ouve, a criatura fala, e voilà, Freud explica: a póbi queria, tão-somente, ter uma dúzia de filhinhos. Infértil e impossibilitada de contribuir para a superlotação do planeta Terra, a jovem passa a entupir-se de comida, dilatar o estômago, e vomitar. Assim, teria uma gestação inteira e um parto, todos os dias.
Vomitar é out, mas eu também curto essa neura de parir.
Minhas pobres ancestrais, que não queriam fazer mestrado nem podiam usar a pílula, pariam anualmente. Minha vó, que Deus a tenha, teve quatro mulheres e quatro rapazes, incluindo um casal de gêmeos. Pelas minhas contas, na minha idade, a vó já tinha a mais velha, e os gêmeos.
Acho que descarrego minha neura de parir nos livros. São meus filhinhos. Carrego no braço, me dão trabalho. Vai um no braço, um fica em casa, outro no colo, outro no pensamento. Uma sertaneja, com uma reca de menino.
Agora, por que diabos eu leio 12 ao mesmo tempo, e nunca termino nenhum?
Nunca, nunca!
PÉEEEEEEEEM! Seu tempo acabou. Até a próxima sessão.
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Erika Lennox
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15h58
O cara estranho da semana
Sim, Érika é loser.
Mas qual a novidade?
A novidade, meus amigos, é que tenho manias feias.
Eu arranco, com minhas pequenas unhas, alguns mini-cravos que aparecem na minha cútis.
Depois desse tratamento tão particular, os cravos microscópicos viram manchonas vermelhas esquisitas e loser.
Eu não rôo unha, porque a manicure é cara, mas eu rôo loucamente o dedo mindinho.
Resultado de prova?
Rói o dedo mindinho.
Vai sair e não tem roupa?
Rói o dedo mindinho.
Chegou atrasada?
Rói o dedo mindinho.
Perceba-se que Érika não rói “a unha”, mas “o dedo”, os ossinhos.
Hum, grave.
Ontem o pobre dedo quase se amofina e morre, porque foi o dia de viajar pra ginecoland.
Aquela cadeirinha de pendurar os pés, beber 8 copos d’água, esperar a bexiga encher e passar um gel frio na barriga... Aquela bata bonita que a gente veste.
Passei o dia mordendo o dedo.
O cara estranho da semana
O dedo véi roído nunca mais será o mesmo, porém, por causa do medo que eu senti do cara estranho dessa semana. Como se sabe, todas as semanas, Érika trava contato com alguma criatura abominável, enviada do além para fazê-la questionar:
- Oh, céus, por que só acontece comigo?
Um louco por semana, é a média. Eu tava me compensando por ter andado a cidade inteira atrás do presente da minha mãe, descansando os pezinhos na praça de alimentação do Iguatemi. Diante de mim, err, um prato grande de barro, com paçoca, pirão, arroz, feijão e carne de sol. Sim, dá licença?
Eu não sou nem metrossexual pra comer sanduíche natural, ahn.
É nesse momento que vem passando o cara estranho dessa semana.
Um metro e noventa, musculosíssimo, negro. Um turista, provavelmente. Caminha na minha direção, olhando diretamente para mim e pro meu pratinho. Medo.
-- Meus pensamentos nesse instante:
Vai me seqüestrar. Vai tumá meu di cumê!
Seqüestro relâmpago, o cara vai roubar meu celular, meus cartões e meu prato de pirão.
Eu vou tacar os livros de 400 páginas que eu comprei na cara dele e sair correndo.
___
Ele se aproxima e anda perto da mesa. Assaz estranho. Se abaixa e fala grosso:
- Tá totoso?
Perguntou se tava gostoso. Frescou com a minha cara, ahn, só porque eu tava com a comida atípica na minha frente. Ok, da próxima vez peço a batatinha de borracha do McDonald’s.
Eu tive tanto medo, que o dedo agora tá na morfina. Só outro.
Se o Mateus estivesse lá, dava uma lição nesse enxerido, né, amor?
Uhm, pirão, yummmiiiiii. Claro que tava gostoso, seu moço, o pirãozinho com arroz.
Morra, Ana Hickmann, eu bato um prato de pirão e não engordo.
Por sinal, anteontem, Ana Hickmann perguntou a uma autoridade em segurança, no noticioso apresentado por ela, o que é que os “cidadões” deviam fazer nesse momento de crise da segurança pública em São Paulo. Chama o Plantão Gramatical.
Mundo estranho, ó. Eu atraio loucos.
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Erika Lennox
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13h01
Qualquer semelhança é mera coincidência.
TEXTO 1 Erasure - letra da música "I love to hate you" "I like to read the murder mistery I like to know the killer isn't me"
TEXTO 2 Jung - perfeição X normalidade
Certa vez, em conversa com um chefe de uma grande instituição nos EUA para crianças delinqüentes, tomei conhecimento de uma experiência extremamente interessante. Lá eles estabeleceram duas categorias de crianças. A maior parte, quando chega à instituição, sente-se melhor, desenvolvendo-se normalmente, e eventualmente consegue sair do que era o seu mal inicial. A outra categoria, minoritária, torna-se histérica quando tenta ser normal e sociável; estes são os criminosos inatos, impossíveis de serem mudados. Para eles a normalidade é o erro. Nós também não nos sentimos muito bem quando temos de atuar com perfeição. E isso porque não somos perfeitos. Os hindus, ao construírem um templo, deixam um canto sem terminar; só os deuses criam com perfeição. É preferível reconhecer a própria falha, aí a gente se sente melhor. É o que se dá com essas crianças e também com nossos pacientes. Iludir as pessoas e levá-las a um nível superior à sua verdade constitui uma falsidade. Se está num homem a possibilidade de adaptar-se, vamos então ajudá-lo de todas as formas possíveis; mas se sua missão realmente é não adaptar-se, façamos o esforço de deixar-lhe livre esse caminho, pois só assim ele estará bem. O que seria do mundo se todos fossem bem ajustados? Haveria um tédio sem fim. É preciso que alguém se comporte de maneira errada, sendo o bode expiatório e objeto de interesse das outras pessoas. Imaginem o quanto devemos ser gratos às histórias de detetives e aos jornais, por podermos dizer: "Graças a Deus não sou o fulano que cometeu um crime, sou uma criatura perfeitamente inocente". Sentimo-nos satisfeitos porque a pessoa perversa cometeu o crime por nós. Este é o sentido profundo de Cristo, enquanto redentor, ter sido crucificado entre dois ladrões; eles também, à sua maneira, eram redentores da humanidade, eram os bodes expiatórios. (JUNG, C. G. Fundamentos de Psicologia Analítica. Volume XVIII/1, parágrafos 209-210.)
Nos dois textos, a mesmíssima idéia: purgamos nosso desejo de destruição e a culpa advinda dele assistindo aos atos violentos dos outros. Digressão: Meu amigo Victor uma vez disse acreditar em algo bizarro. Segundo ele, eu e outras pessoas tínhamos um tipo de dom bastante específico, de intuir músicas que estariam tocando na cabeça dos outros. Não acho que eu tenha esse dom. Não acredito mesmo que ele exista. Mas tenho comigo uma bizarrice bem maior: Acho que eu tenho o dom de fazer coincidir o texto que eu estou lendo com a música que está tocando no quarto. Foi assim quando eu lia depoimentos de prostitutas e tocava Love for Sale. Eu tava lendo Cesar Benjamin, sobre política no Brasil, e tocando "O cu do mundo". Quando eu lia uma entrevista do Frei Betto e tocava Jesus é a Alegria dos Homens. Foi assim no exemplo acima, em que a música coincidia muuuuito mesmo com o texto.
Dom ou preconceito, né. Porque tudo é mais ou menos intercambiável. "Prostituta" lembra "Maria Madalena", que remete a "Jesus é a Alegria dos Homens". Política no Brasil pode perfeitamente lembrar "Love for Sale". E assim por diante, sei lá. E tal.
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Erika Lennox
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23h55
OK, o Paul também tem momentos de fraqueza.
Paul McCartney vence quiz sobre Beatles Deu no Terra. Maio de 2002.
O músico Paul McCartney venceu um questionário sobre os Beatles feito por uma rádio. Ele ouviu o concurso enquanto dirigia até Los Angeles. O DJ do Beatles Breakfast Show, Chris Carter, perguntou aos ouvintes: "Em qual canção dos Beach Boys Paul aparece comendo uma cenoura" Vários telefonemas se sucederam, mas ninguém deu a resposta certa, até que Paul, frustrado, resolveu ligar. Ele acertou a resposta, "Vegetables", e ganhou uma sacola de badulaques assinados por ele mesmo - mas disse ao DJ para dar a outra pessoa.
Texto copiado do livro "As notícias mais malucas do planeta!", do jornalista Alessandro Bender.
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Erika Lennox
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14h46
Procura-se um amante!
(Dr. Jorge Bucay - tradução do original "Hay que buscarse un Amante")
Muitas pessoas têm um amante e outras gostariam de ter um. Há também as que não têm, e as que tinham e perderam.
Geralmente são essas últimas as que vêm ao meu consultório para me contar que estão tristes ou que apresentam sintomas típicos de insônia, apatia, pessimismo, crises de choro ou as mais diversas dores. Elas me contam que suas vidas transcorrem de forma monótona e sem perspectivas, que trabalham apenas para sobreviver e que não sabem como ocupar seu tempo livre. Enfim, são várias as maneiras que elas encontram para dizer que estão simplesmente perdendo a esperança.
Antes de me contarem tudo isto, elas já haviam visitado outros consultórios, onde receberam as condolências de um diagnóstico firme: "Depressão", além da inevitável receita do antidepressivo do momento.
Assim, após escutá-las atentamente, eu lhes digo que elas não precisam de nenhum antidepressivo; digo-lhes que elas precisam de um AMANTE!
É impressionante ver a expressão dos olhos delas ao receberem meu conselho. Há as que pensam: "Como é possível que um profissional se atreva a sugerir uma coisa dessas?!" Há também as que, chocadas e escandalizadas, se despedem e não voltam nunca mais. Àquelas, porém, que decidem ficar e não fogem horrorizadas, eu explico o seguinte: AMANTE é "aquilo que nos apaixona". É o que toma conta do nosso pensamento antes de pegarmos no sono e é também aquilo que, às vezes, nos impede de dormir. O nosso AMANTE é aquilo que nos mantém distraídos em relação ao que acontece à nossa volta. É o que nos mostra o sentido e a motivação da vida.
Às vezes encontramos o nosso amante em nosso parceiro, outras, em alguém que não é nosso parceiro, mas que nos desperta as maiores paixões e sensações incríveis. Também podemos encontrá-lo na pesquisa científica ou na literatura, na música, na política, no esporte, no trabalho, na necessidade de transcender espiritualmente, na boa mesa, no estudo ou
no prazer obsessivo do passatempo predileto... Enfim, é "alguém" ou "algo" que nos faz "namorar" a vida e nos afasta do triste destino de "ir levando".
E o que é "ir levando"? Ir levando é ter medo de viver. É o vigiar a forma como os outros vivem, é o se deixar dominar pela pressão, perambular por consultórios médicos, tomar remédios multicoloridos, afastar-se do que é gratificante, observar decepcionado cada ruga nova que o espelho mostra, é se aborrecer com o calor ou com o frio, com a umidade, com o sol ou com a chuva.
Ir levando é adiar a possibilidade de desfrutar o hoje, fingindo-se contentar com a incerta e frágil ilusão de que talvez possamos realizar algo amanhã.
Por favor, não se contente com "ir levando"; procure um amante, seja também um amante e um protagonista da SUA VIDA...
Acredite: o trágico não é morrer; afinal a morte tem boa memória e nunca se esqueceu de ninguém.
O trágico é desistir de viver; por isso, e sem mais delongas, procure um amante .
A psicologia, após estudar muito sobre o tema, descobriu algo transcendental:
PARA SE ESTAR SATISFEITO, ATIVO E SENTIR-SE JOVEM E FELIZ, É PRECISO NAMORAR A VIDA.
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Erika Lennox
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14h29
Orkut também é cultura!
Há quem diga que Orkut só serve para fins excusos como fuçar a vida do ex-namorado, ver o que aquele gato véi escreveu pra ele, conferir se a vizinha é mesmo louca, expor fotos de casal e comprar pés de maconha. Não deixa de ser verdade, ahn! Também não esqueçam que é uma charmosa ferramenta de trabalho para os seqüestradores antenados com as últimas tendências: Gabixinha faz medicina e freqüenta o Mucuripe Club, o point tal e a academia Tal. Ainda por cima, está na comunidade "uso DVD Player no carro". Eu deixava um scrap na comunidade da academia falando que curto a panturrilha dela e "malho às seis, gata". seqüestrava na porta da academia.
Mas crianças, vejam o que uma alma caridosa pode fazer por esta Sodoma chamada Orkut: o cara simplesmente botou links para todas as discografias completas de tudo o que é bom no mundo. Aplausos pra essa alma iluminada, que gesto lindo! Te admiramos e agradecemos.
O Orkut também serve pra aumentar nossa descrença na humanidade. A paquera no espaço virtual toma ares de zoológico humano quando alguns personagens estão envolvidos. Como uma mulher pode se sentir atraída por um cara que só fala de carro, cachaça e tunning? Como diria Bel, do Chiclete com Banana, "ele não monta na lambreta". Eu me preocupo é com o que um casal desses vai reproduzir. As crianças vão crescer imitando a Joelma e o Chimbinha.
Quando eu era criança, mamãe ensinava a nunca dizer "dessa água não beberei", porque a qualquer momento o desespero ou a necessidade podem nos forçar a agir contra a nossa vontade consciente (raciocínio 1). Por isso, devemos ser humildes e perdoar os outros sempre, infinitas vezes (raciocínio 2). Mamãe estava certa na parte 2 e errada na parte 1, porque eu nunca, jamais, ficarei com um cara do carro tunado. "Dessa água não beberei!" Suponhamos que as profecias do Nostradamus se cumprissem e sobrássemos, para repovoar o mundo, somente as baratas, eu, e um cara do carro tunado. Não vale partenogênese? Ok, baratas, vocês venceram.
Hum, que asco, que nojo, lembrei do meu vizinho com correntes metálicas e uma camisa machão que ele compra por 289 reais numa griffe de gosto suspeito e eu encontro por 7 e noventa no Shopping Centro. Armazém San Michel. Meninos, não usem camiseta machão. Em uma palavra: pagodeiro. Harmonia do samba. O Ken da Barbie que usa argolas douradas de 20 centímetros de diâmetro.
Errado: regata de malha modelo machão com silkscreen imitando skate. Ieco, ieco, vou vomitar.
Ok que nem todo mundo precisa ser o Paul McCartney, estiloso e repaginado, forever young depois da série de plásticas faciais no começo desse ano.
Paul McCartney: I'm the one of a kind. Sorry.
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Erika Lennox
às
13h02
Framboesa
Não é que eu seja rabugenta, mas Crash é o pior filme desde o Cinemascope. Ruim, ruim, ruim mesmo! Clichê, pobre... Pior que isso, só mesmo o chinês vesgo do Batman Begins.
-- Tá tudo ficando muito estranho -- Mas o que o leitor tem a ver com isso?
- Tá chegando, tá chegando, tá chegaaaaando, aê! - Tá chegando! - Vem cá, mas onde? - Pera, que eu não sei se tô chegando ou tô saindo. - Que tu tomou? - Foi a erva, mas o segredo é o suco. De maçã com laranja, que você fica naquele repuxo!
(Isso foi um quadro nonsense do Chico Anísio, nos "Estados Anísios de Chico City", que eu nunca esqueci. Nesse momento, minha cabeça tá no maior repuxo - eu não sei se tô chegando ou se tô saindo).
Por falar nisso...
Havia mil pessoas na inauguração do comitê do Psol. César Benjamin, da Caros Amigos, deu palestra. João Alfredo estava lá. Importante professora universitária militante de movimentos sociais... Militantes de movimentos gays fazendo a cobertura do evento pra um site da causa GLS. E, por acaso, a banda do meu muito adorado boyfriend. QUEM sai no site gls, na galeria de fotos, quem? Vejam com os próprios olhos:
E dou o boato por encerrado, antes que saiam por aí dizendo que os meninos foram criados pela avó. Tô pegando um deles, é bom lembrar.
Ok, Gebedim já saiu no Le Bafon e no Chepooka. É a fama chegando, junto com meu destino inusitado de groupie de sambista.
Ele era da Mangueira, ela era da Divisão do Gozo.
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Erika Lennox
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11h16
In the dead of night it will be alright..
A voz sombria, a promessa de proteção, a alegria perturbadora dessa música me alcançam aonde eu for:
Why don't you run over here and rescue me? You can drive down in your car Why don't we both take a ride and turn that key We'll drive at 60 miles an hour
I'll be there for you when you want me to I'll stand by your side like I always do In the dead of night it'll be alright 'Cos I'll be there for you when you want me to
O ingresso de um show do New Order a que Érika NÃO foi. Compreensível! 1998, eu tinha 14 anos. Mas nada explica que eu não tenha estado no tributo anual ao New Order no Noise. Quero todos, todos os discos do New Order, a discografia completa. Tô ácida, insaciável, o que quiserem chamar. Joy Division não, o vocalista era um desistente da vida, me nego a gostar da música.
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Erika Lennox
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15h51
Querido/a leitor/a, você não sabe como é frustrante não conseguir botar um sistema de comentários no blog. Sinto-me um cocô.
A caixa de comments só dá erro.
Voltarei a estudar web com o triplo do afinco, porque pelo visto é sou meio vedada pra esse campo do conhecimento.
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Erika Lennox
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14h53
Da arte de fazer pose - Um carão.
Evito os bares por causa das discussões políticas, que me dão incrível vontade de sectarizar. Política é uma arte nobre, mas existe um tipo que opina, critica e faz outra arte: posar.
Posar é fácil, basta estar à vontade, e para isso ser bonito ou cara de pau.
- O governo do PT roubou, sim, diz o tipinho de óculos. Foi necessário. Sem isso, nada se fazia. Festa com puta sempre tem. Suborno sempre tem. Política se faz dando algo em troca.
Sim, eu ouvi isso. Nessas horas, como diz o matuto, é “mió calar”. Guardo meu julgamento pra mim, e se puder não julgar, tanto melhor.
É dedo em riste, ódio no rosto, copo batendo na mesa, risada irônica, é muita pose.
Mais adiante, na mesma conversa, ou monólogo, porque malas não travam diálogo:
- Mas é porque a pobreza...
Nesse momento, começa a defesa dos pobres no discurso da criatura.
Advoga na causa da pobreza, porque os pobres são essa entidade distante que precisa de alguém que roube pra eles e divida adequadamente os produtos das negociações.
Devia haver uma cadeira na faculdade, chamada “introdução à realidade”. Vão ouvir gente, sentir odor forte de suor, ouvir choro, chorar junto, rir e se identificar. Depois, caso achem pertinente, vão encher a boca de cuspe num bar e advogar a causa da pobreza.
Teoriza, milita de longe, fala mal da caridade e vinte anos depois vai numa favela cumprimentar pra pedir voto.
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Erika Lennox
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01h49
O tico-tico cá
Érika está de volta ao mundo dos blogs, se é que ele ainda existe. Recapitulando: Chepooka significa "nonsense" em russo. O espaço está pronto, espero ter inspiração pra escrever besteiras aqui, porque acredito que é disso que o mundo precisa. Clap, clap, clap, clap!
PROFILE
Erika, jornalista,
22, mais conhecida como "a pequena notável" ou "the
brazilian bombshell"..
Apenas uma moça latino-americana
sem dinheiro no banco.
Católica voltando a ser praticante.
Procurando formação política.
Namorada do Mateus, mas prometida desde o nascimento a Sir Paul McCartney.
Temo apenas que em nossas núpcias ele já esteja caquético
e com cara de Barbosa.. O que me faz pensar na vantagem competitiva de
Mateus, que é lindo e também toca baixo, mas jamais se deixará
ficar decrépito como Paul vem fazendo...
No momento, enfrento dificuldades no mercado de trabalho por parecer ter
14 anos e graças a isso não passar nenhuma credibilidade
nem mesmo aqui em casa. Puff.
Falo português e inglês. consigo falar francês, mas
não sob pressão, peguem leve. o espanhol estacionou no terceiro
semestre. queria aprender taglish e tagalo.
_____________________________
A psicologia moderna prova que a forma mais profícua de buscar
o auto-conhecimento é o DISPARATE, veja só: Um sonho: igualdade entre homens e mulheres.
Que o Estatuto da Criança e do Adolescente seja posto em prática. Qualidades: solidariedade. Habilidades: imito o Didi Mocó, As Marcianas e
a Betty Guzzo (Sabadão Sertanejoooo!), sou surfista de ônibus,
decoro velozmente todas as músicas que a indústria cultural
produz, inclusive todas do volume 18 da Aviões do Forró,
e as inéditas da Joelma e do Chimbinha. mudo esse template do blog
como quem troca uma lâmpada, ó, corrijo textos alheios, sou
um crânio, ó, acho coisas inúteis na Internet e me
garanto em geral, completamente! Sorry. Incapaz de: cozinhar, dirigir, usar salto alto,lixar
as próprias unhas, trocar lâmpadas. Jamais chegarei a ser
uma super espiã demais. Uma cidade: Fortaleza e Salvador. Recife é linda
e tem o melhor carnaval, mas fede um pouco. O carro dos meus sonhos: um ford Ka azulzinho, que se
dirija sozinho. Vício: Colecionar maquiagens e bolsas, quando
há verba para esse setor. Roupinhas: saias volumosas. batinhas ou tops com calças
saint-tropez. romântico ou vintage quase sempre. Pinturinha: sempre. gloss, blush cremoso, corretivo,
iluminador, rímeis preto e transparente. Assim, já dá
pra sair de casa! Vícios de linguagem: uso "super" antes
de palavras nada a ver. Exemplo:
- Eu super sou prima da Lis.
- Ele super já me devolveu o livro. Um cara bonitão: Johnny Depp. Uma dona bonitona: Scarlet Johanson. Ator: Matheus Nachtergaele. Atriz: Fernanda Montenegro. Cinema: Todos do Tim Burton. O Jardim secreto, do Coppola.
Ficção científica também. Defeitos: sobretudo, lezada e teimosa. também
avacalho os ambientes da sociedade passando com o Robson na frente da
banda e fazendo os músicos ficarem às gargalhadas. E seiscentos
mil outros mais graves. Ganharei o Nobel porque: descobri a maneira infalível
de dispensar atendentes de telemarketing. Basta responder na mesma entonação
deles: "nesta residência, não atendemos ligações
de telemarketing. Tenha um bom dia e obrigada pela compreensão". Recalque: eu só queria ser mulherão, um
metro e vinte só de pernas, 90 de quadril, 90 de busto, 59 de cintura,
ou então uma pin-up.
Mas sou: magrela, dos braços compridos, bochechuda, dos ói
torto. Nem por isso te odeio, Ana Hickmann. Te odeio porque você
fala "menas" na propaganda do Tic Tac. "Muito menas calorias".
Mas gosto da Fernanda Lima. Minhas MP3: The Beatles. Six Pence None the Richer. U2.
Creedence Clearwater Revival. New Order. Erasure. Odair José. THE
RACONTEURS. Depeche Mode. Duran Duran. Falcão. The Libertines.
Bach. Billie Holiday. Noel Rosa. Adoniram Barbosa. Cake. The Clash. PLACEBO.
David Bowie. Caetano Veloso. Luciana Melo. The Supremes. Clap your hands
say yeah. Portishead. Abba. Information Society. Bee Gees. Nando Reis.
Radio Ilusión. Gebedim.
>>> Loser Manos jamais! Poesia: Barroca. Leminsky. Poesia concreta. Vinícius. Um bordão: "hum, a audácia da pilombeta!"
(Didi Mocó). Paixão: estudos da oralidade. Quotes:
<<Eu sou o Caminho, a Verdade e a Vida>>
Jesus Cristo
<<A busca da verdade, minha única prece!>>
Edith Stein, filósofa e santa (1891-1942).
<<O amor é o ridículo da vida.>> Dalva de Oliveira
<<A perseguição é como o amor:
não precisa de reciprocidade para ser verdadeira>>Michel
Foucault
<<But when you talk about destruction, don't you know
that you can count me out?>> Lennon e McCartney